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domingo, 22 de outubro de 2017

MPB - Lenine com Paciência na Música Planetária Brasileira


  • Roseann Kennedy convida Lenine. 

Ele vê a música como instrumento de transformação, revela em conversa com Roseann Kennedy.

Mais de 30 anos de carreira, 14 álbuns lançados e uma longa lista de trabalhos para novelas, filmes e seriados. O compositor, cantor e produtor Lenine dispensa rótulos e se define como um colecionador de palavras, mas ele também coleciona prêmios. Já ganhou cinco prêmios Grammy Latino, nove Prêmios da Música Brasileira entre outros. Recifense- carioca, é engajado em assuntos políticos e de cunho ambiental. Numa conversa descontraída com muita música, ele fala da família, da importância da literatura em sua obra e de como conseguiu alcançar a alma das pessoas por meio de suas canções.


Lenine fala sobre o poder das palavras em suas criações e revela como as raízes pernambucanas estão presentes em sua música. “Eu sou colecionador de palavras”. Não me basta só descobrir a beleza da palavra, saber a etimologia dela, de onde ela vem”. Para ele, descobrir os meandros e o relevo sonoro das palavras é o que torna tudo mais interessante. “A gente tem essa coisa no nordeste com o repente e as diversas modalidades do repente, essa possibilidade de você ter a rima dentro da rima, dentro da rima. Então isso é muito fascinante. As palavras são 50% do meu trabalho”.


Como artista, Lenine sente liberdade e independência para fazer a sua própria leitura da história. “Todas as minhas canções são crônicas. 


Todas as minhas canções são reportagens... A partir do meu olhar evidentemente. Então, isso tudo me dá a sensação de que eu tô de alguma maneira, fazendo história, através do meu olhar. Eu fico achando que daqui a 100 anos alguém pega um disco meu e consiga compreender um pouco como era o tempo onde eu vivia”.

Ao relembrar o papel que a música ganhou desde cedo em sua vida, Lenine relata um episódio vivido em sua infância. Conta que quando criança, o pai deu aos filhos um direito de escolha que foi definitivo em sua carreira. “A gente acompanhava a minha mãe à Igreja, ela ia à igreja todos os domingos, mas aos 8 anos de idade ele permitia aos filhos, escolher que maneira se conectar com o divino. Ele dizia: “Sua mãe prefere a igreja. Papai prefere a música. Vocês escolhem a partir de hoje... Minha mãe perdeu todos os seus parceiros”. A partir daí, durante todo o tempo que durava a missa, a família ficava em casa ouvindo música. “Acho que isso foi a minha grande universidade, a minha grande escola de música, que era ouvir bastante”.


Ao ser questionado se a música é a forma que encontrou para se conectar com o divino, Lenine responde: “É. Divino é uma palavra boa! E melhor do que Deus! O divino é um conceito melhor... Porque isso abrange a todos. Porque pode morar o divino em você”.


Sobre o momento atual vivido no Brasil e no mundo Lenine é enfático e ao mesmo tempo confiante: “Eu acho que a humanidade está precisando aumentar a turma do bem. Não é furo jornalístico as coisas que estão fazendo em benefício do ser humano. Só é furo jornalístico, o que dói, o que traumatiza, o que é morte... A gente tá num momento com o país vivendo essa descrença generalizada, esse descrédito incrível entre os três poderes. E isso dá uma angústia muito grande.


Mas eu não sou desesperançoso, não. Acho que a gente tem possibilidade de aprender com os erros”. Acredita que esse pode ser um momento de mudança e transformação, uma vez que tudo está exposto.

Lenine, que junto a outros artistas como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Chico César, Criolo, Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, já gravou música para chamar a atenção para a demarcação das terras indígenas, não poupa críticas ao que está acontecendo com esses povos no país. “Hoje o que tá acontecendo com a causa indígena, sob a tutela da lei e da justiça, é uma coisa inacreditável”.


Por fim, Lenine percebe a música como um instrumento de transformação. “Eu procuro a cada dia melhorar como ser humano. E eu acho que melhorar significa ter paciência, ouvir o outro”. Prova disso, é a sua canção Paciência que já virou uma pérola em sua vida e é uma pequena amostra de como a música pode conectar as pessoas através de uma linguagem universal. “Eu brinco dizendo que eu faço MPB - Música Planetária Brasileira”. E completa:“É tão bacana, quanto compositor ver esse tipo de penetração, esse tipo de profundidade que a música me deu nas pessoas. Eu cheguei na alma das pessoas”.

  • http://tvbrasil.ebc.com.br

segunda-feira, 12 de junho de 2017

POESIA - SEGREDO SECRETO

  •  SEGREDO SECRETO
 
Sabes?
Alguém perguntou quem eras?

Disse:
Que és meu segredo secreto,
Meu amor suave e discreto,
Escondido em dobras de saias,
Perdido entre damas e aias,
Correndo por vales e montes,
Marcando meus horizontes.

Sabes?
Alguém perguntou quem eras?

Disse:
Que és meu sonho de novas eras,
Um verão novo, um novo vento,
Novas águas, um pensamento
Longinquamente tão perto
Que ao se olhar, por certo,
Se verá somente deserto.

Sabes?
Alguém perguntou quem eras?

Disse:
Que estavas escondida,
Tão junto da minha vida
Que por mais que se murmure,
Por mais que se procure
Por ti, teu vulto ou teu nome,
És neblina branca que some.

Sabes?
Alguém perguntou quem eras?

Disse:
Que és nada, porém és tudo.
Disse eras meu Segredo Secreto,
Meu amor suave e discreto.
Meu encanto!  Um canto tão mudo
Que ninguém terá ouvidos
Para nossos sonhos coloridos.