Mostrando postagens com marcador E-BOOKS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador E-BOOKS. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Canário de Machado de Assis e suas Ideias

 
Um homem dado a estudos de ornitologia, por nome Macedo, referiu a alguns amigos um caso tão extraordinário que ninguém lhe deu crédito. Alguns chegam a supor que Macedo virou o juízo. Eis aqui o resumo da narração.

No princípio do mês passado, — disse ele, — indo por uma rua, sucedeu que um tílburi à disparada, quase me atirou ao chão. Escapei saltando para dentro de urna loja de belchior. Nem o estrépito do cavalo e do veículo, nem a minha entrada fez levantar o dono do negócio, que cochilava ao fundo, sentado numa cadeira de abrir. Era um frangalho de homem, barba cor de palha suja, a cabeça enfiada em um gorro esfarrapado, que provavelmente não achara comprador. Não se adivinhava nele nenhuma história, como podiam Ter alguns dos objetos que vendia, nem se lhe sentia a tristeza austera e desenganada das vidas que foram vidas.

A loja era escura, atualhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio. Essa mistura, posto que banal, era interessante. Panelas sem tampa, tampas sem panela, botões, sapatos, fechaduras, uma saia preta, chapéus de palha e de pêlo, caixilhos, binóculos, meias casacas, um florete, um cão empalhado, um par de chinelas, luvas, vasos sem nome, dragonas, uma bolsa de veludo, dous cabides, um bodoque, um termômetro, cadeiras, um retrato litografado pelo finado Sisson, um gamão, duas máscaras de arame para o carnaval que há de vir, tudo isso e o mais que não vi ou não me ficou de memória, enchia a loja nas imediações da porta, encostado, pendurado ou exposto em caixas de vidro, igualmente velhas. Lá para dentro, havia outras cousas mais e muitas, e do mesmo aspecto, dominando os objetos grandes, cômodas, cadeiras, camas, uns por cima dos outros, perdidos na escuridão.

Ia a sair, quando vi uma gaiola pendurada da porta. Tão velha como o resto, para ter o mesmo aspecto da desolação geral, faltava-lhe estar vazia. Não estava vazia. Dentro pulava um canário.

A cor, a animação e a graça do passarinho davam àquele amontoado de destroços uma nota de vida e de mocidade. Era o último passageiro de algum naufrágio, que ali foi parar íntegro e alegre como dantes. Logo que olhei para ele, entrou a saltar mais abaixo e acima, de poleiro em poleiro, como se quisesse dizer que no meio daquele cemitério brincava um raio de sol. Não atribuo essa imagem ao canário, senão porque falo a gente retórica; em verdade, ele não pensou em cemitério nem sol, segundo me disse depois. Eu, de envolta com o prazer que me trouxe aquela vista, senti-me indignado do destino do pássaro, e murmurei baixinho palavras de azedume.

Quem seria o dono execrável deste bichinho, que teve ânimo de se desfazer dele por alguns pares de níqueis? Ou que mão indiferente, não querendo guardar esse companheiro de dono defunto, o deu de graça a algum pequeno, que o vendeu para ir jogar uma quiniela?

E o canário, quedando-se em cima do poleiro, trilou isto:

Quem quer que sejas tu, certamente não estás em teu juízo.
Não tive dono execrável, nem fui dado a nenhum  menino  que  me  vendesse. São imaginações de pessoa doente; vai-te curar, amigo...

Como — interrompi eu, sem ter tempo de ficar espantado.

Então o teu dono não te vendeu a esta casa? Não foi a miséria ou a ociosidade que te trouxe a este cemitério, como um raio de sol?

Não sei que seja sol nem cemitério. Se os canários que tens visto usam do primeiro desses nomes, tanto melhor, porque é bonito, mas estou que confundes.
Perdão, mas tu não vieste para aqui à toa, sem ninguém, salvo se o teu dono foi sempre aquele homem que ali está sentado.
Que dono? Esse homem que aí está é meu criado, dá-me água e comida todos os dias, com tal regularidade que eu, se devesse pagar-lhe os serviços, não seria com pouco; mas os canários não pagam criados. Em verdade, se o mundo é propriedade dos canários, seria extravagante que eles pagassem o que está no mundo.

Pasmado das respostas, não sabia que mais admirar, se a linguagem, se as idéias. A linguagem, posto me entrasse pelo ouvido como de gente, saía do bicho em trilos engraçados. Olhei em volta de mim, para verificar se estava acordado; a rua era a mesma, a loja era a mesma loja escura, triste e úmida. O  canário, movendo a um lado e outro, esperava que eu lhe falasse. Perguntei-lhe então se tinha saudades do espaço azul e infinito...

Mas, caro homem, trilou o canário, que quer dizer espaço azul e infinito?
Mas, perdão, que pensas deste mundo? Que cousa é o mundo?
O mundo, redargüiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.

Nisto acordou o velho, e veio a mim arrastando os pés. Perguntou-me se queria comprar o canário. Indaguei se o adquirira, como o resto dos objetos que vendia, e soube que sim, que o comprara a um barbeiro, acompanhado de uma coleção de navalhas.

As navalhas estão em muito bom uso, concluiu ele.
Quero só o canário.

Paguei-lhe o preço, mandei comprar uma gaiola vasta, circular, de madeira e arame, pintada de branco, e ordenei que a pusessem na varanda da minha casa, donde o passarinho podia ver o jardim, o repuxo e um pouco do céu azul.

Era meu intuito fazer um longo estudo do fenômeno, sem dizer nada a ninguém, até poder assombrar o século com a minha extraordinária descoberta. Comecei por alfabeto a língua do canário, por estudar-lhe a estrutura, as relações com a música, os sentimentos estéticos do bicho, as suas idéias e reminiscências. 

Feita essa análise filológica e psicológica, entrei propriamente na história dos canários, na origem deles, primeiros séculos, geologia e flora das ilhas Canárias, se ele tinha conhecimento da navegação, etc. Conversávamos longas horas, eu escrevendo as notas, ele esperando, saltando, trilando.

Não tendo mais família que dous criados, ordenava-lhes que não me interrompessem, ainda por motivo de alguma carta ou telegrama urgente, ou visita de importância. Sabendo ambos das minhas ocupações científicas, acharam natural a ordem, e não suspeitaram que o canário e eu nos entendíamos.

Não é mister dizer que dormia pouco, acordava duas e três vezes por noite, passeava à toa, sentia-me com febre. Afinal tornava ao trabalho, para reler, acrescentar, emendar. Retifiquei mais de uma observação, — ou por havê-la entendido mal, ou porque ele não a tivesse expresso claramente. A definição do mundo foi uma delas.

Três semanas depois da entrada do canário em minha casa, pedi-lhe que me repetisse a definição do mundo.
O mundo, respondeu ele, é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira.

Também a linguagem sofreu algumas retificações, e certas conclusões, que me tinham parecido simples, vi que eram temerárias.

Não podia ainda escrever a memória que havia de mandar ao Museu Nacional, ao Instituto Histórico e às universidades alemãs, não porque faltasse matéria, mas para acumular primeiro todas as observações e ratificá-las. Nos últimos dias, não saía de casa, não respondia a cartas, não quis saber de amigos nem parentes. Todo eu era canário. De manhã, um dos criados tinha a seu cargo limpar a gaiola e pôr-lhe água e comida. O passarinho não lhe dizia nada, como  se  soubesse que a esse homem faltava qualquer preparo científico. Também o serviço era o mais sumário do mundo; o criado não era amador de pássaros.

Um sábado amanheci enfermo, a cabeça e a espinha doíam-me.

O médico ordenou absoluto repouso; era excesso de estudo, não devia ler nem pensar, não devia saber sequer o que se passava na cidade e no mundo.  Assim fiquei cinco dias; no sexto levantei-me, e só então soube que o canário, estando o criado a tratar dele, fugira da gaiola. O meu primeiro gesto foi para esganar o criado; a indignação sufocou-me, caí na cadeira, sem voz, tonto. O culpado defendeu-se, jurou que tivera cuidado, o passarinho é que fugira por astuto...

Mas não o procuraram?
Procuramos, sim, senhor; a princípio trepou ao telhado, trepei também, ele fugiu, foi para uma árvore, depois escondeu-se não sei onde. Tenho indagado desde ontem, perguntei aos vizinhos, aos chacareitos, ninguém sabe nada.

Padeci muito; felizmente, a fadiga estava passada, e com algumas horas pude sair à varanda e ao jardim. Nem sombra de canário.
Indaguei, corri, anunciei, e nada. Tinha já recolhido as notas para compor a memória, ainda que truncada e incompleta, quando me sucedeu visitar um amigo, que ocupa uma das mais belas e grandes chácaras dos arrabaldes. Passeávamos nela antes de jantar, quando ouvi trilar esta pergunta:

Viva, Sr. Macedo, por onde tem andado que desapareceu?

Era o canário; estava no galho de uma árvore. Imaginem como fiquei, e o que lhe disse. O meu amigo cuidou que eu estivesse doudo; mas que me importavam cuidados de amigos? Falei ao canário com ternura, pedi-lhe que viesse continuar a conversação, naquele nosso mundo composto de um jardim e repuxo, varanda e gaiola branca e circular...

Que jardim? que repuxo?
O mundo, meu querido.
Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor.
O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima.

Indignado, retorqui-lhe que, se eu lhe desse crédito, o mundo era tudo; até já fora uma loja de belchior...

De belchior? trilou ele às bandeiras despregadas. Mas há mesmo lojas de belchior?

FIM

domingo, 25 de agosto de 2019

Pai Rico, Pai Pobre - Robert T. Kiyosaki

Resenha do livro:

Todo mundo já ouviu falar no livro "Pai rico, pai pobre", mas você já leu? Veja a resenha e quem sabe você se interesse por essa história.

O livro “Pai Rico, Pai Pobre” conta a história de Robert Kiyosaki e seu amigo Mike. Robert era filho de um professor universitário, que tem o privilégio de ter a orientação de dois pais, um rico e outro pobre. O pai rico que chamamos é pai de seu amigo Mike, e o pai pobre é seu pai, um homem muito instruído e inteligente. Ambos homens influentes e bem sucedidos em suas carreiras, embora um sempre com dificuldades financeiras. Abordando o tema "como ganhar dinheiro e conseguir a liberdade em todos os sentidos da vida" no livro os autores discutem vários aspectos e mostram-nos que para conseguirmos a liberdade, tanto no sentido psicológico como financeiro; precisamos começar cedo, ainda quando criança, pois necessitamos saber mexer com dinheiro, de maneira ousada e criativa.

Cada pai tinha uma opinião diferente sobre o dinheiro, um dizia: "O amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal" o outro "A falta de dinheiro é a raiz de todo o mal". Um dos pais recomendava "Estude arduamente para poder trabalhar em uma boa empresa" o outro falava "Estude arduamente para comprar uma empresa". Através dessas opiniões tão divergentes Robert teve a oportunidade de optar por qual dos pais iria dar ouvidos, sendo assim resolveu seguir os conselhos do pai rico.

O pai rico mostra a importância de termos objetivos e persistência, e que devemos fazer com que o dinheiro trabalhe para nós ao invés de trabalharmos para o dinheiro. E não importa o quanto se ganha, mas sim o quanto se guarda. Para construir um grande império, um sonho, devemos planejar e construir em bases sólidas. Sem construirmos sem planejarmos, assim como muitas pessoas o fazem, esse império não vai durar muito tempo. Muitos se preocupam em ter, não em saber, para um dia ser uma pessoa rica.

Robert diz que um profissional deve se preocupar em apreender, em ampliar seus conhecimentos, independente do ramo de negócios que venha escolher. Não devemos trabalhar pensando exclusivamente em um salário melhor ou em um emprego mais estável, mais duradouro, porque se nos especializarmos em uma única área ficaremos dependente deste mercado, e portanto, vulnerável profissionalmente.

Devemos desenvolver habilidades e conhecimento gerais que nos servirão para administrar o nosso negócio. Algumas habilidades como vendas e entendimento de organização são básicas para que qualquer atividade possa ter sucesso. Se você aprender a vender bem a sua ideia, independente de qual seja, terá sucesso. Se você aprender a administrar bem o seu negócio, na área financeira, pessoal, independente de qual seja, terá sucesso.

Para o autor existem 10 passos importantíssimos para não ficar dependente do dinheiro e aproveitar a vida da melhor forma:

1) Encontrar razão maior que a realidade, tenha um objetivo, algo motivador, escolha o que você quer! Pessoas arrogantes e críticas são muitas vezes, pessoas com baixa auto-estima, que têm medo de assumir riscos.

2) O poder da escolha, você escolhe as opções que colocam você mais próximo de seus objetivos.

3) Escolha seus amigos, não somente por sua situação financeira, mas sim, pelo que essa pessoa possa lhe transmitir de ensinamentos e conhecimentos, bons ou ruins, bons para que você possa fazer o mesmo e ruins para que você nunca faça.

4) Domine uma fórmula de fazer algo cada vez melhor e mais rápido, isto serve também para ganhar dinheiro.

5) Autodisciplina, ou seja, pague primeiro a si mesmo, mesmo sem dinheiro, pague a si mesmo primeiro, porque a partir daí você usará a cobrança de seus credores como motivação e determinação para conseguir o quer.

6) Pague bem as pessoas que trabalham para você, principalmente aquelas que lhe ajudam a ganhar dinheiro.

7) Sempre que emprestar, solicite de volta, sempre observe o retorno sobre o investimento: são os ativos que você obtém de graça depois que você recebe seu dinheiro de volta. Isso é inteligência financeira.

8) Ativos compram supérfluos, ou seja, concentre-se em como ganhar dinheiro fazendo o dinheiro trabalhar por você, coloque seu desejo de consumir para motivar seu gênio financeiro a investir.

9) A necessidade de heróis, temos a necessidade de nos espelhar em alguém positivo, pessoas bem sucedidas como exemplo, porque se eles conseguiram nós também conseguiremos.

10) Doe antes de receber, sempre que puder doe algo a alguém principalmente conhecimento. Isto é uma ação, e toda a ação tem uma reação.

Segundo o autor, cada indivíduo tem o poder de determinar o destino do dinheiro que chega às mãos. A escolha é de cada um. A cada dia, a cada nota, decidimos ser rico, pobre ou classe média. Dividir este conhecimento com os filhos é a melhor maneira de prepará-los para o mundo que os aguarda. Ninguém mais o fará. A educação formal não prepara as crianças para a vida real, e boas notas e formação não bastam para garantir o sucesso de alguém. 

A diferença está entre ter o controle do próprio destino ou não. O livro traz lições para controlar o destino e tornar-se bem-sucedido.


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

PODER ULTRAJOVEM - Carlos Drummond de Andrade



  • NO RESTAURANTE — QUERO LASANHA.
Aquêle anteprojeto de mulher — quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia — entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
 

O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
 

— Meu bem, venha cá.
 

— Quero lasanha.
 

— Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
 

— Não, já escolhi. Lasanha.
 

Que parada — lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato:
 

— Vou querer lasanha.
 

— Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
 

— Gosto, mas quero lasanha.
 

— Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede fritada bem bacana de camarão. Tá?
 

— Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
 

— Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
 

— Você come camarão e eu como lasanha.
 

O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
 

— Quero uma lasanha.
 

O pai corrigiu:
 

— Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
 

A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou:
 

— Môço, tem lasanha?
 

— Perfeitamente, senhorita.
 

O pai, no contra-ataque:
 

— O senhor providenciou a fritada?
 

— Já, sim, doutor.
 

— De camarões bem grandes?
 

— Daqueles legais, doutor.
 

— Bem, então me vê um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo?
— Uma lasanha.


— Traz um suco de laranja pra ela.
 

Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
 

— Estava uma coisa, hem? — comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. — Sábado que vem, a gente repete... Combinado?
 

— Agora a lasanha, não é, papai?
 

— Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?
 

— Eu e você, tá?
 

— Meu amor, eu...
 

— Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
         

O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com forca total, o poder ultrajovem.
  • Carlos Drummond de Andrade - Menu
Texto extraído do livro “O poder ultra jovem”, Ed. José Olympio – Rio de Janeiro, 1972, pág. 3


  • Conheça o autor e sua obra  

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

DEUS, ASSIM COMO EU VEJO

  • Desculpe se você não concordar. 
Eu vi  e vejo muita injustiça no mundo, através dos séculos. Mesmo entre aqueles que têm uma religiosidade a toda prova. Mesmo entre todas as crenças, sem exceção. Muito fanatismo, muita ignorância, muita hipocrisia, muita exploração, muitos interesses escusos, comerciais, políticos e muita burrice. E o pior: São infelizes, que vivem tentando enfiar na tua cabeça, que há um paraíso te esperando, após a morte. É o consolo dos pobres e infelizes, dos que nunca alcançarão, aqui na terra, bens materiais, saúde, paz espiritual, alegria e felicidade. E morrerão, portanto, com essa ilusão de consolo… Vejo também pessoas, para quem a religião, a crença em alguém superior, um santo milagroso, um Deus bondoso e justo, é tudo na vida. Outras que, só não fazem pior, porque acreditam num Deus  que castiga. E isso é bom.  Para eles. Para os que caíram no vício, no desespero do sofrimento, na  insegurança, na desesperança.  São os fracos de espírito. Outros muitos, entretanto, mesmo fanáticos religiosos, são castigados sem nada terem feito. Outros que já nascem  infelizes, condenados à miséria e à desgraça eterna aqui mesmo nesse mundo. Igrejas que desabam, excursões religiosas que acabam em tragédia e sofrimentos. Outros que sobem num morro para orar, e são fulminados por um raio. E, o pior, aqueles que ensinam o povo a ser crente e ter fé num ser superior que eles mesmos através dos séculos inventaram, enquanto descaradamente enchem o bolso de ouro e dinheiro, as custas desses trouxas. São pecadores, dirão.  Ou então o pai foi, ou a avó foi, ou o tataravô foi pecador. E quem não é? Quando uma criança já nasce doente, dirão: “É uma bênção de Deus, para testar a fé dos pais.”  Não leve a mal!… É difícil engolir tal coisa… Ridículo!… Se alguém muito bom ou religioso morre , dirão: “Não era desse mundo. Deus chamou para o seu convívio. Foi uma bênção!…”  Se a pessoa que morre não vale nada, dirão:  “Deus castigou e lhe tirou a vida.” Aí  foi o pecado. Se o cara é mais ou menos, então as opiniões se dividem. Simples… Depois que eu perdi o meu filho, um rapaz bondoso e doutrinado pela própria mãe, fanática, lembrei-me de uma passagem bíblica que assim diz: “Mil cairão à sua direita e mil cairão à sua esquerda e tu não serás abalado.”  Uma bala só acertou o meu filho. Bem no meio. O bandido está por aí, solto, sabe lá, curtindo a vida, batucando um pandeiro à mesa de um bar, contando bravatas num hapy, vangloriando-se por ser tão mau, enquanto o meu filho balbuciava: “Não posso morrer agora…”   Então querem que eu acredite num Deus de justiça, todo poderoso, criador dos céus e da terra, que sabe a quantidade de fios de cabelo que temos na cabeça, e que voluntariamente determina tudo isso ? “- Esse é bom, vai morrer… Esse é mau vai morrer também… Esse é rico e mau, vai gozar a vida toda na terra… (Só aqui na  terra!…) Esse, fanático no meu nome, vai se arrastar eternamente, sofrer e mendigar enquanto viver, como Jó. Esse já vai nascer paralítico, para honrar o meu nome… Esse vai nascer mongolóide, porque é descendente de Nero, que era muito mau… Esse outro, direitinho , casado, pai de 4 filhos, é obediente a mim e me louva todo dia. Vou trazê-lo para a Glória Eterna… A família dele… , se vira!… Sofrerão para se purificarem mais um pouco…” Pode, esse Deus justo, que todos imaginam, permitir que Hitler (só um exemplinho pequeno) tenha matado, condenado a desgraça, ao sofrimento, milhões de seres humanos, dentre os quais mulheres e cria nças inocentes, e tenha ficado por isso mesmo?!… E o tal de Menguele, torturador de  Judeus, que só foi encontrado depois de pra lá de morto!… Vocês acham que eu vou  acreditar num Deus que permite tudo isso? Que determina por livre e espontânea vontade, a exterminação em massa de inocentes, das guerras, nossas conhecidas na  Europa, o sofrimento pela fome na África, na Ásia e na maior parte do Brasil? Que permite o sofrimento eterno e a degradação do povo judeu, “o povo eleito” que sequer em Jesus acredita? E o que dizer dos vulcões e terremotos?! Tanto sofrimento de inocentes… Todos pecadores? Até os cachorros? É assim que vejo diariamente, a “justiça” do Deus mais conhecido por aí. Por isso, comigo não tem esse negócio de deixar pra Deus, dar o castigo a quem apronta comigo. As coisas boas que me fazem, guardo do lado esquerdo do peito, o lado do coração. As coisas ruins guardo do lado direito, o da porrada! Não espero que Deus me ajude em nada também. Isso é uma ilusão e um convite ao conformismo, à acomodação, à dependência . Eu mesmo me viro e luto pelo que quero, e se depender de mim, faço a minha própria justiça.  (A tal parte que deveria ser divina). Tanto quanto não acredito num Diabo, como  um ser racional, mal, esperto e matreiro, que pra mim é outra idiotice. No máximo, um espírito babaca, desnaturado, fraco e imbecil, como um bandidinho qualquer entre os seres vivos. E eu não sou mau, nem perverso, nem sem coração, só por causa  disso. Acredito é que nada sou. Ou sou apenas como uma formiga que vagueia por aí. Que está viva, até que alguém a pise sem querer. Por isso, tomo conta de mim mesmo. Colho aquilo que planto, e eu sei que, se errar pela lei dos homens, e não tiver imunidade parlamentar, nem for um “coronel” de alta patente, nem tiver muita grana para  comprar Deus, a polícia e a justiça, possivelmente, pagarei pelos meus erros. (A esmagadora maioria não paga). Não acredito num Deus que castiga, mas que você mesmo paga, pelas coisas erradas que fizer, pelas pessoas que maltratar, porque serão muitos os seus inimigos naturais.  Creio que, quem te ajuda mesmo, são seus amigos verdadeiros, de carne e osso, aqueles que você conquistou com sua benevolência, carinho, amor e lealdade. E que ainda assim e apesar disso, a recíproca nem sempre é verdadeira... Existe a inveja…  É bom acreditar em você mesmo, saber qu e tudo pode vir, ou do seu esforço e sabedoria, ou da sua leviandade e comodismo. Que você deve estar preparado para o melhor e para o pior. Que se você cair no chão, no chão vai ficar. Que deve lutar com todas as suas forças, para que isso não aconteça. Se isso acontecer, será o seu fim. Não teve Santo nem Padre até hoje, que livrasse o povo religioso fanático, de todas as desgraças, como a seca e a miséria do Nordeste, por exemplo, e outras que conhecemos muito bem. Viver consciente e sem ilusões místicas, é acreditar no homem (imperfeito), com suas restrições e limitações, na vida na terra como a única, na amizade, no amor, na lealdade, na amabilidade, na simpatia, na camaradagem, na educação, na boa vontade, na natureza (imperfeita) como dádiva eterna , na multiplicação das suas células, através da sua descendência.  Longe de fanatismos, acreditar no seu esforço, no seu propósito, na fé de conseguir, aquilo que lhe é possível e lógico. É não sofrer com egoísmos, nem invejas, nem insatisfações tolas. É saber driblar os infortúnios, superar as adversidades, minimizar as tristezas, ver a beleza do que está em volta e ao seu alcance. É confiar no retorno do seu investimento. Acreditar que você vai viver muito e ser feliz, ou vai morrer tentando… Assim é mais honesto, é ma is proveitoso e lógico. E quando acabar, acabou!…
  • Fonte - pág.13 do e-book - ATEU GRAÇAS À DEUS - Alfredo Bernacchi
https://app.box.com/s/gknf2c3idzvgsq6d8symv9el1ol8jj5p
  • A BIBLIA DO ATEU - Alfredo Bernacchi
https://app.box.com/s/mf5e0t2o8le1eo51pxw1f0un30vhvn35

segunda-feira, 10 de abril de 2017

PODER INFINITO DA SUA MENTE

  
  • O Poder Infinito da Sua Mente - Lauro Trevisan   
RESUMO:

Vamos deixar claro desde o principio que o “impossível” não existe,  tudo que você necessita e almeja está em suas mãos, ao seu alcance. 

Com o poder Infinito de sua mente descobrirás maravilhas, como por exemplo: O caminho da felicidade, a realização de um grande sonho, o poder do sucesso individual e financeiro, a libertação dos males e doenças, os problemas corriqueiros, Alcançar o milagre, a Cura, A felicidade conjugal e familiar, ou seja, TUDO É POSSÍVEL com o poder existente dentro de você.
  • Temos duas funções cognitivas em nossa mente: 
A primeira deriva-se como Mente Racional, aquela que recebe ordens do seu estado atual pensante. Analisa os fatos, raciocina, imagina, dá ordens, tira conclusões sobre um determinado fato, isto é, mostra o que você é. 

A segunda deriva-se como Mente Subconsciente, aquela que esta guardada dentro de você e é subjetiva. Esta categoria é receptora, recebe a mensagem passada pela Mente Racional. 

Para melhor entendimento da Mente Racional e Subconsciente, eis um exemplo: Maria tem uma grave doença que para medicina não haverá cura.  A Mente Racional de Maria não aceita esta determinação imposta pelos médicos e manda uma mensagem para a Mente Subconsciente dizendo que irá ficar curada através de seus estímulos sensoriais. Assim a ordem foi passada.

Mente Racional  - Mensagem (Transmitida para) Mente Subconsciente
(A Mente Subconsciente irá fazer o desejo de Maria se tornar realidade). Para acionar este poder interno entre em estado de Alfa (Estado de meditação).

O segredo é acreditar sem duvidar em momento algum, acredite que sua mente é capaz de tudo, aprenda a controlara ansiedade. A palavra tem poder. Lauro Trevisan afirma: “Tudo que é pensável é realizável” logo a afirmação primária deste texto volta em evidencia: O impossível não existe tudo esta ao seu alcance.

O livro é amplo e mostra as soluções para quem deseja parar de beber bebidas, alcoólatras, ensina como atrair um bom casamento, como ensinar seus filhos, como progredir no emprego... Leia e descubra outros mistérios, até onde sua Mente é capaz de chegar.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

MUNDO - Ideias de Canário

  • MUNDO - Ideias de Canário - Machado de Assis
— O mundo, redarguiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.    
 
— O mundo, respondeu ele, é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira.

Mundo é um espaço azul infinito
com um sol por cima.


E aí? você tem mesmo certeza
se existe a loja daquele tal chinês?

https://leiturasredigidas.blogspot.com.br/2016/08/ideias-de-canario-machado-de-assis.html

sábado, 25 de março de 2017

INTELIGÊNCIA - Ensinando Inteligência

  • INTELIGÊNCIA - MÉTODOS BÁSICOS
  • Ensinando Inteligência
Autor: Pierluigi Piazzi (Prof. Pier)

Foi, desde pequena, a melhor aluna da sala em uma escola de elite e… não conseguiu passar no vestibular! Formou-se com boas notas em um curso de direito de primeira linha e… não conseguiu passar na OAB! Todos ótimos alunos e… péssimos estudantes! Vítimas de uma pedagogia obtusa e de um sistema escolar que valoriza quem “estuda” para tirar nota, não quem estuda de verdade, para aprender. Este livro é o primeiro passo rumo a uma reviravolta no ensino, para livrar nossas escolas de métodos e modismos equivocados que levaram o Brasil a ter um dos piores sistemas educacionais do mundo. Reverter essa triste situação, por incrível que pareça, é simples. 
  •  INTELIGÊNCIA - Dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens
http://sementeducacional.blogspot.com.br/2016/01/inteligencia-dinheiro-faz-homens-ricos.html

sábado, 28 de janeiro de 2017

ANSIEDADE - COMO ENFRENTAR O MAL DO SÉCULO


A Síndrome do Pensamento Acelerado: como e por que a humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos ...
 

Dedico este livro a alguém especial. Desejo que você seja um grande sonhador E que, entre seus sonhos, sonhe em ter Um caso de amor com sua qualidade de vida. Caso contrário, terá uma dívida enorme com Sua saúde emocional e com uma mente livre. Saiba que os melhores seres humanos já traíram: Traíram seus finais de semanas, seu sono, seu descanso. Traíram o tempo com as pessoas que mais amam. Desacelere! Que neste livro você aprenda a Gerenciar seus pensamentos e proteger a sua emoção. Pois, por mais forte que seja, você é um simples mortal. Obrigado por existir.

terça-feira, 12 de abril de 2016

LIVROS NA ERA DIGITAL

  •  Livros continuam vencendo a era digital e cada vez mais se mantém no mercado.
Atualmente, muitas pessoas não dão a devida importância aos livros pensando-se até que, devido aos formatos digitais, o livro físico caísse em desuso. Felizmente, constata-se que, para quem gosta de ler, nada substitui o poder de ter um verdadeiro livro na mão.
 

A leitura caracteriza-se como um processo que possibilita a participação do homem na vida em sociedade, em termos de compreensão do presente e passado e em termos de possibilidades de transformação sócio-cultural futura. E por ser um instrumento de aquisição, transformação e produção de conhecimento levanta-se como um trabalho de combate à alienação, capaz de facilitar às pessoas e aos grupos sociais a realização das diferentes dimensões da vida.

 http://leiturasredigidas.blogspot.com.br/2016/04/livros-estao-bem-na-era-digital.html