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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Canário de Machado de Assis e suas Ideias

 
Um homem dado a estudos de ornitologia, por nome Macedo, referiu a alguns amigos um caso tão extraordinário que ninguém lhe deu crédito. Alguns chegam a supor que Macedo virou o juízo. Eis aqui o resumo da narração.

No princípio do mês passado, — disse ele, — indo por uma rua, sucedeu que um tílburi à disparada, quase me atirou ao chão. Escapei saltando para dentro de urna loja de belchior. Nem o estrépito do cavalo e do veículo, nem a minha entrada fez levantar o dono do negócio, que cochilava ao fundo, sentado numa cadeira de abrir. Era um frangalho de homem, barba cor de palha suja, a cabeça enfiada em um gorro esfarrapado, que provavelmente não achara comprador. Não se adivinhava nele nenhuma história, como podiam Ter alguns dos objetos que vendia, nem se lhe sentia a tristeza austera e desenganada das vidas que foram vidas.

A loja era escura, atualhada das cousas velhas, tortas, rotas, enxovalhadas, enferrujadas que de ordinário se acham em tais casas, tudo naquela meia desordem própria do negócio. Essa mistura, posto que banal, era interessante. Panelas sem tampa, tampas sem panela, botões, sapatos, fechaduras, uma saia preta, chapéus de palha e de pêlo, caixilhos, binóculos, meias casacas, um florete, um cão empalhado, um par de chinelas, luvas, vasos sem nome, dragonas, uma bolsa de veludo, dous cabides, um bodoque, um termômetro, cadeiras, um retrato litografado pelo finado Sisson, um gamão, duas máscaras de arame para o carnaval que há de vir, tudo isso e o mais que não vi ou não me ficou de memória, enchia a loja nas imediações da porta, encostado, pendurado ou exposto em caixas de vidro, igualmente velhas. Lá para dentro, havia outras cousas mais e muitas, e do mesmo aspecto, dominando os objetos grandes, cômodas, cadeiras, camas, uns por cima dos outros, perdidos na escuridão.

Ia a sair, quando vi uma gaiola pendurada da porta. Tão velha como o resto, para ter o mesmo aspecto da desolação geral, faltava-lhe estar vazia. Não estava vazia. Dentro pulava um canário.

A cor, a animação e a graça do passarinho davam àquele amontoado de destroços uma nota de vida e de mocidade. Era o último passageiro de algum naufrágio, que ali foi parar íntegro e alegre como dantes. Logo que olhei para ele, entrou a saltar mais abaixo e acima, de poleiro em poleiro, como se quisesse dizer que no meio daquele cemitério brincava um raio de sol. Não atribuo essa imagem ao canário, senão porque falo a gente retórica; em verdade, ele não pensou em cemitério nem sol, segundo me disse depois. Eu, de envolta com o prazer que me trouxe aquela vista, senti-me indignado do destino do pássaro, e murmurei baixinho palavras de azedume.

Quem seria o dono execrável deste bichinho, que teve ânimo de se desfazer dele por alguns pares de níqueis? Ou que mão indiferente, não querendo guardar esse companheiro de dono defunto, o deu de graça a algum pequeno, que o vendeu para ir jogar uma quiniela?

E o canário, quedando-se em cima do poleiro, trilou isto:

Quem quer que sejas tu, certamente não estás em teu juízo.
Não tive dono execrável, nem fui dado a nenhum  menino  que  me  vendesse. São imaginações de pessoa doente; vai-te curar, amigo...

Como — interrompi eu, sem ter tempo de ficar espantado.

Então o teu dono não te vendeu a esta casa? Não foi a miséria ou a ociosidade que te trouxe a este cemitério, como um raio de sol?

Não sei que seja sol nem cemitério. Se os canários que tens visto usam do primeiro desses nomes, tanto melhor, porque é bonito, mas estou que confundes.
Perdão, mas tu não vieste para aqui à toa, sem ninguém, salvo se o teu dono foi sempre aquele homem que ali está sentado.
Que dono? Esse homem que aí está é meu criado, dá-me água e comida todos os dias, com tal regularidade que eu, se devesse pagar-lhe os serviços, não seria com pouco; mas os canários não pagam criados. Em verdade, se o mundo é propriedade dos canários, seria extravagante que eles pagassem o que está no mundo.

Pasmado das respostas, não sabia que mais admirar, se a linguagem, se as idéias. A linguagem, posto me entrasse pelo ouvido como de gente, saía do bicho em trilos engraçados. Olhei em volta de mim, para verificar se estava acordado; a rua era a mesma, a loja era a mesma loja escura, triste e úmida. O  canário, movendo a um lado e outro, esperava que eu lhe falasse. Perguntei-lhe então se tinha saudades do espaço azul e infinito...

Mas, caro homem, trilou o canário, que quer dizer espaço azul e infinito?
Mas, perdão, que pensas deste mundo? Que cousa é o mundo?
O mundo, redargüiu o canário com certo ar de professor, o mundo é uma loja de belchior, com uma pequena gaiola de taquara, quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.

Nisto acordou o velho, e veio a mim arrastando os pés. Perguntou-me se queria comprar o canário. Indaguei se o adquirira, como o resto dos objetos que vendia, e soube que sim, que o comprara a um barbeiro, acompanhado de uma coleção de navalhas.

As navalhas estão em muito bom uso, concluiu ele.
Quero só o canário.

Paguei-lhe o preço, mandei comprar uma gaiola vasta, circular, de madeira e arame, pintada de branco, e ordenei que a pusessem na varanda da minha casa, donde o passarinho podia ver o jardim, o repuxo e um pouco do céu azul.

Era meu intuito fazer um longo estudo do fenômeno, sem dizer nada a ninguém, até poder assombrar o século com a minha extraordinária descoberta. Comecei por alfabeto a língua do canário, por estudar-lhe a estrutura, as relações com a música, os sentimentos estéticos do bicho, as suas idéias e reminiscências. 

Feita essa análise filológica e psicológica, entrei propriamente na história dos canários, na origem deles, primeiros séculos, geologia e flora das ilhas Canárias, se ele tinha conhecimento da navegação, etc. Conversávamos longas horas, eu escrevendo as notas, ele esperando, saltando, trilando.

Não tendo mais família que dous criados, ordenava-lhes que não me interrompessem, ainda por motivo de alguma carta ou telegrama urgente, ou visita de importância. Sabendo ambos das minhas ocupações científicas, acharam natural a ordem, e não suspeitaram que o canário e eu nos entendíamos.

Não é mister dizer que dormia pouco, acordava duas e três vezes por noite, passeava à toa, sentia-me com febre. Afinal tornava ao trabalho, para reler, acrescentar, emendar. Retifiquei mais de uma observação, — ou por havê-la entendido mal, ou porque ele não a tivesse expresso claramente. A definição do mundo foi uma delas.

Três semanas depois da entrada do canário em minha casa, pedi-lhe que me repetisse a definição do mundo.
O mundo, respondeu ele, é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira.

Também a linguagem sofreu algumas retificações, e certas conclusões, que me tinham parecido simples, vi que eram temerárias.

Não podia ainda escrever a memória que havia de mandar ao Museu Nacional, ao Instituto Histórico e às universidades alemãs, não porque faltasse matéria, mas para acumular primeiro todas as observações e ratificá-las. Nos últimos dias, não saía de casa, não respondia a cartas, não quis saber de amigos nem parentes. Todo eu era canário. De manhã, um dos criados tinha a seu cargo limpar a gaiola e pôr-lhe água e comida. O passarinho não lhe dizia nada, como  se  soubesse que a esse homem faltava qualquer preparo científico. Também o serviço era o mais sumário do mundo; o criado não era amador de pássaros.

Um sábado amanheci enfermo, a cabeça e a espinha doíam-me.

O médico ordenou absoluto repouso; era excesso de estudo, não devia ler nem pensar, não devia saber sequer o que se passava na cidade e no mundo.  Assim fiquei cinco dias; no sexto levantei-me, e só então soube que o canário, estando o criado a tratar dele, fugira da gaiola. O meu primeiro gesto foi para esganar o criado; a indignação sufocou-me, caí na cadeira, sem voz, tonto. O culpado defendeu-se, jurou que tivera cuidado, o passarinho é que fugira por astuto...

Mas não o procuraram?
Procuramos, sim, senhor; a princípio trepou ao telhado, trepei também, ele fugiu, foi para uma árvore, depois escondeu-se não sei onde. Tenho indagado desde ontem, perguntei aos vizinhos, aos chacareitos, ninguém sabe nada.

Padeci muito; felizmente, a fadiga estava passada, e com algumas horas pude sair à varanda e ao jardim. Nem sombra de canário.
Indaguei, corri, anunciei, e nada. Tinha já recolhido as notas para compor a memória, ainda que truncada e incompleta, quando me sucedeu visitar um amigo, que ocupa uma das mais belas e grandes chácaras dos arrabaldes. Passeávamos nela antes de jantar, quando ouvi trilar esta pergunta:

Viva, Sr. Macedo, por onde tem andado que desapareceu?

Era o canário; estava no galho de uma árvore. Imaginem como fiquei, e o que lhe disse. O meu amigo cuidou que eu estivesse doudo; mas que me importavam cuidados de amigos? Falei ao canário com ternura, pedi-lhe que viesse continuar a conversação, naquele nosso mundo composto de um jardim e repuxo, varanda e gaiola branca e circular...

Que jardim? que repuxo?
O mundo, meu querido.
Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor.
O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima.

Indignado, retorqui-lhe que, se eu lhe desse crédito, o mundo era tudo; até já fora uma loja de belchior...

De belchior? trilou ele às bandeiras despregadas. Mas há mesmo lojas de belchior?

FIM

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

TEMPO DE VIVER

Hoje, como nunca, desejei que meu dia tivesse algumas horas a mais. Tantos afazeres: compromissos - que não serão cumpridos; tarefas que não serão executadas - leituras obrigatórias; coisas indesejadas que me fizeram ansiar por aquelas cujo prazer me foge – leituras deleitosas, família, filhos, sorrisos, criação em verso e prosa.

Costuma-se dizer que o tempo é objeto de luxo. Temos, constantemente, a sensação de que ele, de alguma forma, sempre nos falta. A rotina diária ilude nossa mente, condiciona-a a fazer coisas, automaticamente, roubando-nos a percepção do próprio tempo.

Diz-se que certas atividades podem ludibriar essa propriedade, como, por exemplo: vestir-se olhando para o espelho, usar o relógio no outro braço, que não o de costume, pentear o cabelo com a mão esquerda, se for destro, enfim, mudar a rotina.

O problema é que depois de algum tempo todas essas coisas podem tornar-se rotina. Então, o que fazer? Já não me penteio, parei de usar relógio e me ocorre a possibilidade de não usar mais roupas.

Precisava distrair a mente. Peguei uma poesia, que abordava a questão do tempo, e dediquei alguns minutos, os quais teriam de prestar contas mais tarde, a meditar sobre sua mensagem. Não era a primeira vez que subia ao templo de Chronos para reclamar-lhe a presença. Tenho feito muito isso nos últimos anos.

Lembrei-me de quando eu tinha tempo para não pensar em nada. Minha riqueza era sua complacência e não importava o quanto se tinha a esperar ou perder, o tempo me fazia entender. O que importava era o agora e o caminho a seguir, sem receios do que viria à frente.

Mas o tempo é paciente, mais do que todos nós, que somos tão de repente. Nós crescemos, ele não; às vezes, nos perdemos; não do seu olhar. Permitimos por nossas mãos escapar e tentamos o aprisionar, ingenuamente, numa máquina de registrar. O tempo é paciente, mais do que todos nós, que somos tão de repente. Ele também nos fez reféns da nossa própria máquina de contar. Agora, zomba de nós, dia a dia, sem parar. E nessa batalha inglória, o vemos, sempre para frente andar, enquanto ele observa, paradoxalmente, em nós, o tempo sempre voltar. Como se nos oferecesse uma nova chance de recomeçar.

Talvez, o melhor mesmo seja seguir a velha receita horaciana, que subjugou o poder do tempo, com tamanha maestria, e se eternizou, por meio da célebre expressão: “CARPE DIEM”. Pois é, não há como dominá-lo. Não há como dominarmo-nos. O tempo urge! Urge, ainda mais, nossa vontade de viver.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

PODER ULTRAJOVEM - Carlos Drummond de Andrade



  • NO RESTAURANTE — QUERO LASANHA.
Aquêle anteprojeto de mulher — quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia — entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
 

O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
 

— Meu bem, venha cá.
 

— Quero lasanha.
 

— Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
 

— Não, já escolhi. Lasanha.
 

Que parada — lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato:
 

— Vou querer lasanha.
 

— Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
 

— Gosto, mas quero lasanha.
 

— Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede fritada bem bacana de camarão. Tá?
 

— Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
 

— Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
 

— Você come camarão e eu como lasanha.
 

O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
 

— Quero uma lasanha.
 

O pai corrigiu:
 

— Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
 

A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou:
 

— Môço, tem lasanha?
 

— Perfeitamente, senhorita.
 

O pai, no contra-ataque:
 

— O senhor providenciou a fritada?
 

— Já, sim, doutor.
 

— De camarões bem grandes?
 

— Daqueles legais, doutor.
 

— Bem, então me vê um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo?
— Uma lasanha.


— Traz um suco de laranja pra ela.
 

Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte.
 

— Estava uma coisa, hem? — comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. — Sábado que vem, a gente repete... Combinado?
 

— Agora a lasanha, não é, papai?
 

— Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?
 

— Eu e você, tá?
 

— Meu amor, eu...
 

— Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
         

O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com forca total, o poder ultrajovem.
  • Carlos Drummond de Andrade - Menu
Texto extraído do livro “O poder ultra jovem”, Ed. José Olympio – Rio de Janeiro, 1972, pág. 3


  • Conheça o autor e sua obra  

terça-feira, 5 de junho de 2018

Cérebro e língua são inimigos mortais

  • O Homem Pensador e a Mulher Faladora - Camilo Castelo Branco
O homem pensador é necessariamente taciturno. A mulher faladora não consegue atordoar-lhe o espírito, mas faz-lhe nos ouvidos a traquinada intolerável de uma matraca. A matraca afugenta do coração todas as quimeras do amor. Não vos caseis com homem pensador, mulheres que falais um momento antes de pensar o que direis. O amor —se vo-lo pode inspirar tal homem—fará que não fecheis olhos velando-lhe a doença; fará que lhe sacrifiqueis os haveres, a reputação e a vida; fará tudo que humanamente pode fazer um anjo de sacrifício, mas não vos fará calar. O feudo mais pesado que uma tal mulher pode impor a um homem é — a obrigação de ouvi-la.
 

A ofensa que tal mulher nunca perdoa é — a insolência de ouvi-la, sem escutá-la. Vejam num dicionário a diferença das duas palavras. Escutar é querer ouvir. Uma bela mulher, capaz de extremos, tentou a franqueza do amante que, em vésperas de matrimônio, lhe disse: «não faltes tanto.» A noiva pesou estas palavras, refletiu, calculou as suas forças, chorou, atormentou-se, e disse: «não me casarei: é impossível calar-me.» Para que me não tomem isto como anedota, é preciso dizer-lhes que esta mulher foi acerbamente ferida no seu orgulho. O orgulho da mulher faladora, uma vez ferido, é incurável. O orgulho da mulher é a sibila de todos os seus segredos.
 

Uma mulher bonita entretém, silenciosa.
 

Perguntei uma vez a um meu amigo:
 

—Aquela mulher sabe falar?
 

—Com os olhos—respondeu ele.
 

Era verdade. A natureza, para a não fazer perfeita, dera-lhe a língua. Conforme ia falando, a magia dos olhos perdia-se.
- Camilo Castelo Branco - poetris.com

  • A melhor ginástica para o cérebro é saber mais de uma língua
As pessoas que falam vários idiomas exercitam mais a mente, também aprendem de forma natural a reduzir as distrações.
  • “Um mundo de fatos estende-se para além do mundo das palavras.” 
Thomas Henry Huxley
  • As línguas dependem do cérebro humano, não do ouvido.…
  • usem LIBRAS !!!

domingo, 4 de junho de 2017

Irmãos, os melhores amigos que não escolhemos

  • Nossos irmãos são, sem dúvida nenhuma, os melhores amigos que não escolhemos. 
Aquelas pessoas que nos incomodaram, ignoraram e irritaram inúmeras vezes na infância. Aquelas pessoas que, apesar de tudo, sempre estarão do nosso lado.
 
De qualquer maneira, a relação entre irmãos é uma das mais fortes que vamos viver e a que mais terá altos e baixos. No entanto, é quase de lei que prevaleça um sentimento de amor incondicional para forjar uma relação fraterna com duração de uma vida.
 
Embora nem todas as relações fraternas sejam um bom exemplo de relações positivas, é normal que os irmãos permaneçam unidos compartilhando amor, e que os brinquedos e alegrias sejam as histórias mais amadas que manteremos em nossa memória.
 
“Um irmão é um recipiente de memórias da infância e um registro de como os sonhos cresceram.”
 
Quem tem irmãos, tem uma grande fortuna emocional.
 
Como estava sendo dito, os benefícios emocionais de ter nosso irmão ao longo de nossa trajetória de vida são imensuráveis. Entre outras razões, os irmãos podem proteger uns aos outros de sentimentos como solidão, medos ou tristeza excessiva.
 
Assim, ter irmãos é sempre positivo para as crianças e, claro, para os adultos.
 
“Mesmo as discussões têm grande benefício emocional, elas nos ajudam a adquirir a capacidade de controlar nossas emoções, compartilhar, ser flexível e deixar de lado sentimentos negativos como raiva e inveja.”
 
Além disso, existem muitas habilidades que fomos capazes de desenvolver graças à partilha de vida com os nossos irmãos:
 
    Aumentamos a nossa autoestima.
    Aumentamos a nossa capacidade de generosidade.
    Somos mais pacientes.
    Evitamos problemas emocionais em uma idade adiantada.
    Nos ajuda a afastar a solidão.

 
O que aprendemos através de nossos relacionamentos com nossos irmãos.
O amor fraternal não se compara a nada, porque deste relacionamento guardamos memórias imensas e doces que permeiam a nossa memória de sorrisos, diversão e proximidade. Suas mãos lembrar-nos alegria e jogos, e seu olhar, infinita cumplicidade.
 
Infelizmente, nem sempre todas as relações fraternas são positivas, nos referimos a esses irmãos que são rivais e não têm sentimentos positivos mútuos. A triste verdade é que isso é real e pode acontecer.
 
Neste sentido, embora a rivalidade entre irmãos seja uma consequência natural de sua condição, a má gestão destes sentimentos pode causar o aparecimento de sentimentos negativos e tornar obscuro uma relação que poderia ser maravilhosa.
 
“No entanto, por regra geral os irmãos são a nossa família. De qualquer forma e, embora o tempo e a distância nos afaste, um irmão sempre faz qualquer coisa para te ver sorrir.”
 
Aconteça o que acontecer e mesmo que os ramos de árvores nos distanciem, sempre compartilharemos raízes. Chorar, rir e viver ao lado do outro nos une para sempre. Porque as coisas que irmãos vivem juntos não são esquecidas, como os olhares cúmplices, jogos e reconciliações. Essas coisas sempre permanecem na memória com amor incondicional.
  • https://melhorcomsaude.com/irmaos-melhores-amigos-nao-escolhemos/

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Windows 7 - O x da questão é como sair do modo de segurança ...

  • Aparentemente eu não tinha como sair do modo de segurança, já tinha  tentado reiniciar diversas vezes, mas sempre voltava ao menu no modo de segurança e nem carregava os drivers, impossibilitando, assim, de querer formatar e instalar um novo windows.

Bem, para sair do modo de segurança do w7 .. é só ir em iniciar>ai vc digita msconfig>enter>clica em inicialização de sistema>e tira inicialização em segurança>aplicar>ok .. pronto quando reiniciar já estará normal ... 

Parece fácil e este é o único modo viável, só que no modo de segurança não aparece menus nem nenhuma opção de clicar, possível, para alcançar este objetivo. Até tentei reinstalar um novo windows, mas acusava a ausência de drivers, pois eles não carregam neste modo, usei o hirens boot, mas de lá também não DAVA ACESSO AO MSCONFIG.
 

Eu estava triste, mas com o olhar perdido sobre o teclado sonhava com aquelas janelinhas do windows e com o menu iniciar. Bem, depois de algum tempo olhando o teclado eu ví uma tecla com as janelinhas do windows, as mesmas que eu já estava sentindo saudades. Aí me deu vontade de tocá-la e, ao fazê-lo, apareceu o menu iniciar acima e embaixo a opção de executar, era tudo que eu desejava que aparecesse, foi só ir em executar e em seguida digitar msconfig, pronto, eu estava salvo, fui lá e retirei o x de inicialização em segurança e pude, após reiniciar, rever minhas saudosas e adoráveis janelinhas, que susto e que saudades. Você não imagina o alívio que sentí. Cuidado ao mexer nas configurações, um x a mais dá uma baita dor de cabeça.
 

Caso você não tenha colocado a opção executar abaixo, no menu iniciar, é só digitar msconfig em buscar e3 ele vai aparecer, aí é só clicar nele e fazer o restante...

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Vida e prazer - o melhor da vida


  • Por onde anda o seu olhar?
Muitas vezes, o exercício de perceber o mundo com mais cuidado pode nos levar por um caminho de leveza e simplicidade.
 

Sempre fui fascinada pela rua, desde muito pequena. O cheiro, o movimento, as diferenças, as cores me atraem o olhar e fazem com que eu caminhe com mais leveza. Por isso, sempre que posso, deixo o transporte público e faço meus trajetos a pé, sem nenhuma pressa. Nessas andanças, descubro pequenezas que aliviam qualquer tensão ou ansiedade. Aprendi, por exemplo, a perceber a chegada da chuva ou os primeiros sinais da mudança das estações só pela força do vento. E descobri que, embora tenham um aroma parecido, dama-da-noite e quaresmeira são flores completamente diferentes. Parece pouco, eu sei. Mas a soma desses pequenos prazeres permite que eu me apaixone todos os dias pela vida, principalmente quando me deparo com alguma dificuldade ou algum descontentamento.
  •  Vida e prazer - Nos pequenos prazeres reside o melhor da vida

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

VIDA É UM ROTEIRO COM DIAS E NOITES NO PALCO DO MUNDO


  • MINHA VIDA É UM PALCO ILUMINADO
Somos como atores neste palco que é o mundo, as cenas são os dias e noites, e o roteiro quem escreve é a VIDA! 

A vida depois dos 60 é um começar de novo, novos horizontes, um mundo diferente e muito mais LEVE! A gente está sempre começando, sempre aprendendo...E aos 60 anos, a gente nasce de novo!

  • TERRA, CIMENTO OU CINZAS?
   - Será melhor ser enterrada a 7 palmos no chão, entrar numa gaveta de concreto ou ir prum forno, bem cremadinho, virar um montinho de cinzas?
  

 Ficamos literalmente de boca aberta, logo no começo do happy hour, todo mundo com um chopinho ainda de colarinho, a música recém começando e a Mirinha saiu com essa. Parecia Dona Morte agourando, só faltava a foice.

   - Qual é a tua coroa, tá zoando? - era o Denizardo, o mais novo no grupo, um carioca folgado, com fama de pegador, só na gíria, e só para parecer malandro.
   

Mas a Mirinha veio pronta, deve ter passado o dia todo imaginando um assunto para despertar a galera. E despertou. A cada rodada, mais um argumento, a Lelê, que é juíza aposentada, assumiu a coordenação da bagunça - cada um queria dar sua opinião. Depois, teria a votação para ver qual a melhor opção de ou parede, ou terra, ou fogo para liquidar com o esqueleto.

   Um minuto de silêncio. Começam as inscrições. A Cidinha levanta a mão, já teve câncer e se acha autoridade em escolher funeral, quase bateu as botas quatro vezes:


   - Primeiramente, vamos pensar na saúde do Planeta!
   

Levou uma vaia, pensaram que ela ia falar duas horas, mas não, é que Cidinha é vegetariana e já foi do Green Peace. Continuou a Cidinha:
 

  - Temos que lutar pela cova rasa, aquela no chão, servir de adubo para a terra. Pensem em quantos bichinhos vão nos comer e fertilizar o solo!
   

- Que nogento isso - a Lelê revirou os olhos, os cílios postiços meio tortos, o cabelo parecia um capacete, colocou as mãos nas tetas e lascou - os vermes se alimentando destes peitinhos...
  

 - Prefiro ser comida em vida - gritou Lurdeca, a taradinha da turma. Um moreno alto, bonito, sensual - e enviasou os olhos para o Jorge Antonio, que para se escapar, pediu a palavra:
  

 - Sou agricultor, cada corpo na terra é pasto verde! Pó ao pó! - Até o vizinho de mesa, o de nariz vermelho, ouviu PÓ e se assustou.
   

Já na quinta rodada de chopp, até Tenório, nosso velho garçom, bateu na mesa e a Lelê, a juíza, concedeu-lhe a palavra:
   

- Morreu, morreu. Quem garante que vão me dar um túmulo ou me cremar? É tudo muito caro, vão é me enfiar na parede, uma caixa de cimento, os parentes choram no dia e depois, nunca mais. Não pagam o aluguel da parede, os ossos que aproveitem para fazer dentaduras...
   

- Por isso, voto na cremação. Tudo higiênico, bota no forninho, as cinzinhas num potinho, espalha no jardim, pode ser aqui mesmo. Nada de comprar terreno no cemitério, buraco na parede, isso de cova na terra os sem terra ficaram com tudo - foi a vez do Toninho, é muito delicado, fala tudo em inho, riquinho. 

   Nessas alturas, a juíza Lelê batia com o copo na mesa, todos falavam,  ninguém seguia a ordem. Mas bem que fizeram silêncio quando a Mirinha se levantou e  acabou a discussão:


   - Eu quero é morrer como a Joana D`Arc, num baita fogo!
 

    O fogo da Mirinha já sabem qual é... E foi mais uma rodada!  Todos batucando na mesa "Garçom, aqui nesta mesa de bar..."
  • http://bellabereg.blogspot.com.br/2016/07/mirinha-morreu.html