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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Sentimentos Da Alma Aventureira


Sentimentos Que Só Quem Tem Uma Alma Aventureira Vai Entender:

Primeiramente, o que é uma alma aventureira? A resposta varia muito de pessoa pra pessoa. A descrição de uma alma aventureira é algo bastante subjetivo, cada um tem sua ideia e definição, possivelmente ligada a um acontecimento pessoal ou a um exemplo de alguém. Para mim, uma alma aventureira é alguém que tenha ação e corre atrás de seus sonhos e desejos, é alguém que usa suas próprias escolhas para empurrar limites, tanto externos quanto internos. Pessoas que buscam também contribuição para um maior senso de identidade pessoal. São pessoas destemidas e, claro, que amam aventura!

Pesquisando no dicionário, a descrição de aventureiro é: “Diz-se da, ou pessoa que procura aventuras; que ou o que vive de intrigas. Que ou o que não tem meio certo de vida”.

Mas de qualquer maneira, algo constante em um aventureiro, são os 11 sentimentos listados. Além disso, é algo que conecta nós aventureiros como um só!

A alma de um aventureiro pode ser ou parecer inquieta por vários motivos, e aqui estão alguns dos mais memoráveis sentimentos que influenciam esse esteriótipo:

1. Você aprende a ser mais livre

Pessoas aventureiras tem um profundo senso de liberdade. É esse o sentimento que mais os definem! Eles tem um estilo de vida que para muitos pode parecer “loucura”, ou até mesmo um sonho distante. Mas eles sabem do seu potencial, e de como tudo depende somente deles. Nao são de ligar para o que os outros vão achar, nem do tipo que ficam sempre só sonhando.. Aventureiros tem ação! Eles gostam e precisam disso, é o que os inspiram todos os dias a viver, é saber que eles são livres para sonharem e serem o que quiser.

2. Você tem uma profunda sensação de euforia

Uma alma aventureira é caracterizada por alegria, despreocupação e otimismo. E muito se deve à toda essa vontade de ousar-se! Para aventureiros, nada se compara a felicidade pré, durante, e pós uma aventura, é um sentimento único e que vem de dentro. Ninguém pode tira-lo de você. Existe coisa melhor que isso? Os melhores e mais felizes dias da minha vida foram com certeza em momentos de aventura, como durante meu intercâmbio. Completamente fora da minha zona de conforto! Mas a alegria que essa aventura permitiu, as viagens, pessoas e loucuras que ela trouxe.. São imensuráveis. É uma nostalgia que sempre conforta, e tenho certeza que não sou a única a me sentir assim.

3. Você encara o medo vem de um jeito bem diferente

A diferença do medo para os aventureiros é que eles QUEREM sentir medo! Oi? Haha sim! O medo é um forte sentimento buscado, e nada se compara à adrenalina que se sente ao pular de um avião, ou ir sozinho para aquela cidade fazer a viagem dos seus sonhos. O que nos leva ao próximo sentimento.

4. Você tem muita vontade de se aventurar e liberar a adrenalina

Apesar do medo, a decisão de uma alma aventureira costuma ser concluída com um SIM ao risco. Entendemos que só assim vamos nos sentir vivos de verdade, que a realização nunca veio de zonas de conforto! O caminho está longe de ser fácil, junto com o risco vem muitos testes e dificuldades, mas costumam ser quase sempre seguidos de um grande aprendizado, ou no mínimo uma história incrível para se contar. Como os australianos que você conheceu aleatoriamente em um hostel na América Central, e 4 meses depois acaba espontaneamente marcando uma passagem para vê-los do outro lado do mundo. Coisas que jamais aconteceriam sem se arriscar! Apesar de tudo, vivemos eternamente livres do medo de nunca ter tentado.

5. Você sente a necessidade do “novo”

Apesar de não ter uma palavra (pelo menos não no Português) para definir esse sentimento, ele é com certeza um dos mais presente nos corações aventureiros. A busca pelo desconhecido é um aspecto permanente na vida de todo aventureiro. É como um eterno chamado, quanto mais aventuras se tem, mais aventuras se deseja! São do tipo que chegam de uma viagem já planejando a próxima, que dizem “sim” sempre a um day trip de trilha em um lugar novo, ou a qualquer aventura. Rotina não é com ele!

6. Você está em uma constante busca pelo crescimento interno

O aventureiro entende que tomar riscos trará, la na frente, um auto conhecimento enorme. Ele sabe que nenhuma sala de aula ou escritório jamais poderá substituir os aprendizados que um tempo na estrada, se arriscar em um novo esporte radical, ou dividir em quarto com 10 desconhecidos em um hostel pelo mundo podem trazer! Ele entende essa filosofia de vida e sabe o quão gratificante ela é, até mesmo profissionalmente. Uma conexão e entendimento de corpo, mente e alma. E uma vez que essa ideia cresce na mente de um, não tem volta! Uma vez aventureiro, para sempre aventureiro.

7. Você aprende a ser mais espontâneo e a seguir seus instintos
Entre uma escalada aqui, um rafting ali, a alma aventureira aprende a ouvir seus instintos melhor e a viver no presente! Se bate aquela vontade de ir para algum lugar ou fazer uma coisa, ele sabe que a única coisa que o impede é ele mesmo.. E então, vai atrás! O “sim” também é bem mais presente na nossa vida que um “não”. Um sexto sentido aprimorado e consequentemente incontáveis histórias de momentos incríveis para se contar.

8. Você mantém a mente aberta para o novo sempre

A probabilidade de um aventureiro ser também alguém completamente aberto para uma nova ideia, uma nova cultura, estilo de vida ou experiência, é quase 100%. Por ter se aventurado tanto, ele sabe que sempre tem espaço para um novo aprendizado em qualquer situação. Uma ótima maneira disso acontecer é saindo da zona de conforto e indo atrás de conversar com novas pessoas, seja nas áreas comuns do hostel em que esteja hospedado, participando do pubcrawl ou de um tour organizado, ou até mesmo ouvindo o que os locais tem a dizer, há sempre algo novo para aprender, e é importante manter a mente aberta para isso. Mas para uma alma aventureira, isso vem de maneira fácil e natural!

9. Você aprende a ter mais empatia e amor ao próximo

Em meio a tantas experiências e aventuras, é inevitável conhecer muita gente, e gente diferente! Pessoas que vivem de maneira que nunca poderíamos imaginar, com novas ideias, novas culturas e diferentes histórias e pontos de vista. Isso tudo leva a um maior entendimento do mundo como um todo e empatia pelo próximo. Percebemos que somos um só! Tenho lembranças muito especiais de trocas muito marcantes e profundas com diversas pessoas, aprendi (meio que sem querer) que as vezes pode ser muito mais fácil falar com um completo estranho que se encontra do seu lado em um trem silencioso do que com seus amigos de anos.

Uma lembrança muito especial que tenho é de um sábado que passei no Hostel of the Sun em Nápoles, na Itália. Estava com duas amigas e estávamos exaustas de um dia quente de viagem, só querendo chegar e dormir mesmo. Mas acabamos nos surpreendendo com a vibe incrível e acolhedora do lugar e, de repente, todo o cansaço passou. Vivi um dos sábados mais memoráveis da minha vida, por horas sentada em um sofá com outros viajantes que havia acabado de conhecer. Conversamos até de madrugada sobre nossas histórias e nossos mais profundos sonhos. Essa conexão tão rápida e passageira, mas tão intensa, estará para sempre marcada comigo. Carrego comigo esse dia como uma lição de que todos temos uma história única, com diversos aprendizados. Como já dito acima, é inevitável não sentir empatia depois de experiências como essa!

10. Você sente o famoso “Wanderlust”… bastante!

A palavra de origem alemã, que conquistou todo o mundo, não poderia ficar de fora da nossa lista. Formada pela junção de outras duas palavras alemãs, “wander” corresponde à viagem, caminhada.. e “lust” à luxúria. Mas nesse caso, um indomável e profundo desejo. Um indomável desejo de viajar é, sem dúvida, um sentimento constante e presente na vida de todas as almas aventureiras desse mundo! Queremos conhecer todos os lugares, todos os picos, todas as maneiras de liberar adrenalina, e todos os hostels possíveis! Nosso papel no mundo é conhecê-lo.

11. Você aprende a viver no momento

Entre todos esses sentimentos que nós aventureiros sentimos, eles são todos ligados pelo senso maior e filosofia de vida que: A vida É uma aventura. O que importa não é onde queremos chegar, e sim a jornada. É sobre quantas vezes nos sentimos gratos e vivos no agora. É sobre contar quantas aventuras e momentos de pura adrenalina foram sentidos. O sentimento de “viver no momento” é definido  pelo senso de presença e apreciação por cada instante e oportunidade. Esse amor pela vida é, sem dúvida, o que torna todas as almas aventureiras pelo mundo tão especiais.

- Sobre A Autora:

Sara Victória se mudou para a Inglaterra a um ano atras como estudante de psicologia. Mas, sempre que possível, encontra uma folga para viajar, seja para perto, ou longe, buscando juntar suas duas maiores paixões, viajar e ajudar os outros.


sexta-feira, 17 de abril de 2020

PAZ INTERIOR NA CIDADE, ENFIM



Paz interior é o que todos nós buscamos. Essa busca é que o está por trás de todas as outras coisas que queremos. Queremos prosperar para sentir segurança e assim nos sentirmos em paz. Queremos ter um relacionamento a dois estável, para termos conforto, apoio e segurança; assim, podemos ficar mais em paz... No fundo, tudo acaba se resumindo a uma busca por paz interior.

Vou dar, então, alguma dicas valiosas para aumentar a paz interior. Muitas dessas dicas todo mundo já sabe, embora a maioria não consiga praticar. Isso também serve pra mim... Então, vamos lá.

1 – Pratique a aceitação...

Aceitar significa parar de brigar interiormente com a realidade. Quando algo já aconteceu ou está acontecendo neste exato momento, de nada adianta ir contra a realidade. Aceitar significa permitir que a realidade exista sem entrar em conflito com ela, por que mesmo que você entre em conflito, o que já foi, já foi. E o que é, continuará sendo, mesmo contra a sua vontade. Mesmo que você internamente esteja brigando com a realidade, não permitindo ou não querendo que ela exista, ela está lá do mesmo jeito.

Aceitação é diferente de conformismo ou falta de ação. Se estiver ao seu alcance fazer algo para melhorar a realidade, faça. Mas é bem melhor pra você agir no estado de paz. Sua ação será mais eficiente e não haverá sofrimento no seu interior. E se não for possível fazer nada, apenas aceite que é assim que é. Nenhum desconforto interno mudará a realidade ou trará qualquer benefício pra você.

2 – Pare de julgar outras pessoas...

No momento que começamos a julgar alguém, temos uma sensação de superioridade. É um processo automático e inconsciente que serve para encobrirmos nossas inferioridades. Mas se você perceber lá no fundo, existe um desconforto quando julgamos alguém. Não é algo agradável de se sentir. Você prefere se sentir em paz, ou se sentir superior? Você prefere se sentir em paz ou ficar com raiva ou revoltado com alguém?

3 - Pare de julgar a si mesmo... 

À medida que nos desenvolvemos emocionalmente desde a infância, recebemos vários tipos de críticas. Essas críticas mexem com nosso amor próprio. De forma inconsciente, aprendemos que não somos dignos de receber amor e que não devemos ser bons com nós mesmos. Interpretamos que temos algo de errado e que a forma de corrigir isso é através da crítica.

Depois nos tornamos adultos e mesmo que não tenha mais alguém nos criticando diretamente, desenvolvemos um juiz interior severo que faz o papel do crítico interno julgador. Quando você era uma criança, esse juiz não existia. Ele é a energia acumulada das críticas que recebemos, dos sentimentos de que não somos bons o suficiente e que temos algo de errado. É também a raiva acumulada de si mesmo. Seja mais paciente, gentil consigo mesmo. Criticar a si mesmo não tem tido o efeito de provocar mudanças; tem apenas lhe causado sofrimento e deterioração da sua autoestima.

4 – Pratique o perdão...

Primeiro entenda o que é perdoar. Perdoar significa apenas liberar mágoas, ressentimentos, raiva, revolta e eliminar completamente o sentimento de vitimização. Perdoar não significa concordar ou aprovar o que alguém fez. Perdoar também não significa que você tenha que conviver com uma determinada pessoa que é potencialmente perigosa pra você. Manter relacionamentos com pessoas que nos prejudicam é sinal de baixa autoestima, falta de amor próprio. Você pode perdoar e se afastar ao mesmo tempo. Perdoar é voltar a ficar em paz. É poder lembrar das coisas que aconteceram sem sofrimento algum. O sentimento é curado, o que fica é apenas o aprendizado das experiências.

5 – Viva o momento presente... 

Viver o momento presente significa dar mais importância e atenção ao que estamos fazendo agora, do que a situações futuras ou situações que já foram. Na verdade, só existe o presente. Passado e futuro são apenas projeções mentais, são pensamentos. Pensar no futuro ou no passado deveria servir apenas como uma consulta mental rápida e esporádica e logo deveríamos voltar ao presente (aliás, nunca saímos dele).

Remoer o passado é uma forma de não viver o presente. Preocupar-se é uma forma de viver no futuro, especulando o que será (de maneira negativa). Quando saímos do momento presente, a ansiedade aumenta e perdemos a paz interior. Nosso foco deve ser sempre o momento presente, só que a nossa mente tende a inverter as prioridades e foca mais no passado e no futuro, causando-nos sofrimento.

6 – Pare de querer entender tudo...

 A realidade é muito mais complexa do que a nossa mente é capaz de entender e do que temos condição de enxergar. Pra tudo que acontece existe uma rede de acontecimentos passados e condições que acabaram dando origem ao que acontece agora. Vemos apenas fragmentos da realidade.

Quando você vê um comportamento negativo de alguém, você está apenas enxergando um pequeno fragmento da realidade. Por trás daquele comportamento, existem uma série de fatos, experiências vividas e coisas que vem de gerações passadas que foram herdadas por aquela pessoa, que acabaram dando origem àquele tipo de comportamento que você vê agora. Nem você sabe por que você agiu da forma que agiu em muitas situações onde fez escolhas e tomou atitudes que não foram as melhores. 

A mente quer entender tudo, como se ela fosse finalmente ficar em paz ao entender. Só que em muitos casos podemos até ter uma compreensão racional, mas mesmo assim a paz não vem. Então, permita-se ficar em paz, mesmo quando você não tiver a capacidade de entender a realidade.

7 – Adote o hábito de agradecer...

Adote o hábito de agradecer pelas coisas boas e abandone o hábito de reclamar do que que quer que seja. Agradeça as pequenas coisas. Não é necessário nada de extraordinário pra que você sinta gratidão. A reclamação é algo que nos tira a paz de forma instantânea. Enquanto que a gratidão nos coloca em um estado de paz e alegria instantaneamente.

8 – Afasta-se dos noticiários. 

Eles vêm carregados de péssimas notícias e a maioria delas não fará a menor diferença a na sua vida, trazem apenas mal-estar. É esse mal-estar que a consciência coletiva hoje deseja ampliar, a maioria está nessa sintonia. Mas você pode sair dela e ajudar a consciência coletiva a ficar mais saudável. Hoje eu estava na esteira da academia e tinha uma televisão ligada na esteira ao lado em um canal de notícias. Não tive como não ouvir e ver as imagens. Mortes por acidente de carro, uma briga selvagem entre torcidas e muitas outras coisas... foi impossível não me sentir mal com aquilo.

9 – Busque autoconhecimento sempre. 

O autoconhecimento é a chave para o crescimento e desenvolvimento do ser humano em todas as áreas, seja na vida pessoa, profissional, relacionamentos e na saúde física. É a chave para encontrar paz interior, alegria e prosperidade. Essa é uma prioridade na minha vida e recomendo que seja também na sua. Livros, cursos, treinamentos, terapias, meditação... tudo isso nos ajuda a crescer e encontrar paz interior. Por isso, continue firme nessa jornada.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

RELAÇÃO ENTRE REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E URBANIZAÇÃO DESENFREADA


O crescimento das metrópoles e o consequente processo de urbanização, principalmente nos países em desenvolvimento, é uma das mais agressivas formas de relacionamento entre o homem e o meio ambiente. As cidades antigas eram menores, mais harmônicas e, mesmo quando erguidas em locais ambientalmente inadequados, agrediam menos o meio ambiente.

A partir da revolução industrial, o processo de crescimento das cidades se acelerou pelas duas razões já apontadas: a necessidade de mão-de-obra nas indústrias e a redução do número de trabalhadores no campo. 

A industrialização promoveu de modo simultâneo os dois eventos, um de atração pela cidade, outro de expulsão do campo. Antes da revolução industrial não havia nenhum país onde a população urbana predominasse. No começo deste século, apenas a Grã-Bretanha possuía a maior parte de sua população vivendo em cidades (Munford 1982). 

Pode-se afirmar que o Século XX é o século da urbanização, pois nele se acentuou o predomínio da cidade sobre o campo. Salvo regiões muito atrasadas, que permanecem com características nitidamente rurais, o processo de urbanização prossegue em marcha acelerada.

Os bolsões de pobreza são frequentes e justamente neles ocorrem as maiores taxas de natalidade.

As elevadas taxas de natalidade que ocorrem nas regiões mais pobres dos países em desenvolvimento tornam-se um fantástico fator de realimentação da pobreza, uma vez que criam um ciclo vicioso difícil de romper. As políticas que poderiam interromper esse ciclo de pobreza ou não existem ou são mencionadas timidamente. Desinteresse, tradição, religião e costumes dificultam a disseminação de informações sobre o controle da natalidade. O resultado é facilmente constatado: a população de mais alta renda, com acesso às informações, apresenta taxa de crescimento reduzido e diminuindo os empregos e os investimentos, enquanto os segmentos mais pobres apresentam taxas de crescimento elevadas, aumentando a falta de educação  e a violência.

A ideia da fixação do homem no campo como forma de evitar o crescimento das cidades carece de realismo. As pessoas vão para o meio urbano em busca de oportunidades para melhorar a vida, de emprego, de escola, coisas que nem sempre são encontradas em pequenos povoados do interior. A cidade pode ser associada a uma unidade produtiva complexa, produzindo ampla variedade de bens e serviços, estando permanentemente em busca de economias de escala, e sempre exercendo forte atração sobre os seres humanos.

Deve-se lembrar que sete das cidades mais populosas do planeta estão em países em desenvolvimento.  

Nos países industrializados é bastante alto o percentual de pessoas que vivem nas cidades, tendo o processo migratório interno atingido um certo ponto de equilíbrio. A maioria dos países em desenvolvimento ainda está distante desse ponto, e os fluxos migratórios internos do campo para as cidades, das regiões mais pobres para as mais ricas prosseguem.

Como um todo, o quadro latino-americano é favorável, e bem superior à média dos países em desenvolvimento da África e da Ásia. O problema é a profunda hetereogeneidade sócio-econômica da região. 

 A pobreza urbana tem aumentado. O Banco Mundial (Horizontes Urbanos, 1986) estima que exista no mundo mais de um bilhão de pobres, pessoas com renda anual inferior a 370 dólares. Desse total, um terço vive nas cidades, o que representa 25% da população urbana mundial, e entre 30 e 60% da população urbana dos países em desenvolvimento.

Não por acaso, os primeiros países a industrializem-se foram também os primeiros a conhecer a urbanização em sua versão moderna, tornando-se territórios verdadeiramente urbano-industriais. 

Atualmente, esse processo vem ocorrendo em países emergentes e subdesenvolvidos, tal qual o Brasil, que passou por isso ao longo de todo o século XX. Segundo a ONU, até 2030, todas as regiões do mundo terão mais pessoas vivendo nas cidades do que no meio rural.

O grande gargalo desse modelo é o crescimento acelerado das cidades, que contribui para fomentar a macrocefalia urbana, quando há o inchaço urbano, com problemas ambientais e sociais, além da ausência de infraestruturas, crescimento da periferização e do trabalho informal, excesso de poluição, entre outros problemas. Estima-se, por exemplo, que até 2020 quase 900 milhões de pessoas estarão vivendo em favelas, em condições precárias de moradia e habitação.

Aparentemente as grandes cidades não param de crescer, excetuando-se algumas cidades da Europa e algumas metrópoles norte-americanas onde o equilíbrio populacional já está praticamente atingido. De 1970 até o ano 2000, a maior cidade européia, Londres, deverá ter uma pequena redução de população, que oscila em torno de 11 milhões de habitantes. As cidades do México e São Paulo no mesmo período triplicarão as suas populações. 

Entre as principais causas do crescimento dessas cidades, e de outras metrópoles de países em desenvolvimento, está a migração do campo e das regiões mais pobres do país para os grandes centros urbanos, guiada pela crença de que esses centros seriam capazes de dar emprego, habitação, escola e serviços hospitalares, para a grande massa de cidadãos excluídos de qualquer benefício. Na maioria das vezes trata-se apenas de uma ilusão, pois a cidade grande muito pouco tem a dar ao migrante com pouca qualificação para o trabalho urbano. Desfeito o sonho, ele passa a viver em condições degradantes, muitas vezes piores do que as do início de sua jornada em busca de melhores condições de vida.

A favelização é um dos maiores efeitos da urbanização acelerada.

Só nos resta esperar para ver o futuro, onde, com certeza, tudo isso vai chegar.